Onde mora o dinheiro
Mariana Londres — Fonte: Jornal da Tarde
22/04/2008
18/04/2008
Se o ‘Banco Imobiliário’ fosse desenhado hoje, a Avenida Faria Lima seria o endereço top
Ao jogar o Banco Imobiliário, o jogo mais vendido no mundo (nos Estados Unidos é o famoso ‘Monopoly’, monopólio), é muito fácil perceber a oscilação de valorização e desvalorização no mercado imobiliário no longo prazo. Basta olhar para o tabuleiro: os bairros mais valorizados no jogo, Morumbi e Interlagos, não estão no topo da lista de valorização do mercado real hoje (veja no quadro ao lado).
Outros bairros, como Vila Leopoldina, Praça Panamericana e Moema, que estão entre os endereços com o metro quadrado mais caro da cidade, não fazem parte do jogo, porque, na época em que a versão vendida até hoje no Brasil foi desenhada - na década de 1970 -, não eram tão valorizados.
É claro que o jogo não foi feito para refletir fielmente o mercado imobiliário. Segundo a Estrela, fabricante do brinquedo no Brasil, o critério final da escolha dos endereços do tabuleiro é a familiaridade de crianças e adolescentes, e não exatamente o preço do metro quadrado. “Mas, como o jogo tem como objetivo maior ‘se enriquecer’ com o mercado imobiliário, os endereços mais valorizados acabam sendo escolhidos, mas sempre pensando na identificação das crianças e adolescentes”, explica o gerente de marketing da Estrela, Aires Leal Fernandes. “Afinal, quem não gostaria de ser dono da Paulista ou da Faria Lima?”, diz.
Desde que foi criado, nos Estados Unidos, em 1934, o jogo tem no tabuleiro endereços reais (da cidade de Atlantic City, na primeira versão). No Brasil, o jogo desembarcou na década de 1940, e em 1970 foi feita uma mudança nos endereços, que permanece até hoje. Se o tabuleiro fosse desenhado hoje exclusivamente com base no preço do metro quadrado, teria mais chance de ficar rico quem conseguisse arrematar um terreno na esquina das avenidas Brigadeiro Faria Lima com Juscelino Kubitschek, endereço mais caro na cidade de São Paulo, segundo a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio, Embraesp.
A estimativa da Embraesp considera o preço do metro quadrado de terrenos vendidos recentemente nas regiões apontadas, considerando terrenos de tamanho médio e onde pode haver incorporação, tanto de prédios como para pontos comerciais.
“Porque há variáveis. Você pode ter um terreno em um excelente local mas de tamanho pequeno para uma grande incorporação. Logicamente, nesse caso, ele vai ter o metro quadrado mais barato do que um grande terreno, regular e com poucas restrições para incorporações”, explica Luiz Paulo Pompéia, diretor da Embraesp.
Os fatores que influenciam a valorização e desvalorização ao longo dos anos também variam. “Você tem locais que já eram valorizados na década de 1970 e continuam valorizados hoje, como é o caso dos Jardins, de Higienópolis e de alguns locais do Morumbi. No caso dos Jardins e Higienópolis há a alta procura aliada à falta de espaço, que pressiona os preços. Mas há aqueles locais como regiões das avenidas Rebouças e 9 de Julho, ambas afetadas por corredores de ônibus, que trazem trânsito e desvalorização”, completa Pompéia.
NO JOGO E NA REALIDADE
Endereços mais caros de São Paulo (preço do terreno por m2)
Faria Lima com Juscelino Kubistcheck: R$ 10 mil a R$ 12 mil
Paulista: R$ 8 mil a R$ 10mil
Berrini: R$ 4 mil a R$ 5 mil
Pç. Panamericana. R$ 5 mil
Marginal Pinheiros (altura da rua Flórida): R$ 4 mil
Vila Nova Conceição (Praça Pereira Coutinho): R$ 4 mil
Higienópolis (região Avenida Higienópolis): R$ 3, 5 mil
Jardim América (região Rua Guadalupe): R$ 3,5 mil
Moema (Av. Ibirapuera - pássaros). R$ 2 mil a R$ 3 mil
Alto de Pinheiros (Parque Villa-Lobos). R$ 2 mil a R$ 3 mil
Cidade Jardim (região do futuro Shopping Cidade Jardim): R$ 1,5 mil
Vila Leopoldina: R$ 1,5 mil a R$ 2 mil
Endereços mais caros no jogo e preço do m2 hoje
Morumbi (Jardim Sul): R$ 600 a R$ 800
Interlagos (Autódromo): R$ 500 a R$ 600
Jardim Paulista: R$ 3 mil
Brooklin (Berrini): R$ 4 mil a R$ 5 mil
Brigadeiro Faria Lima (região Pedroso): R$ 4 mil a R$ 5 mil
9 de Julho ( região José Maria Lisboa): R$ 2 mil
Avenida Rebouças ( região Av. Brasil): R$ 1,5 mil a R$ 2 mil
Avenida Europa ( Oscar Freire): R$ 1,5 mil
Av. Pacaembu: R$ 3 mil a R$ 3,5 mil
R. Augusta: R$ 3 mil a R$ 3,5 mil
Avenida Brasil: R$ 2,5 mil a R$ 3 mil
Jardim Europa: R$ 3 mil
Avenida Paulista: R$ 10 mil
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Plaza Iguatemi, a maior concentração de banqueiros por metro quadrado do Brasil
Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007
Plaza Iguatemi, a maior concentração de banqueiros por metro quadrado do Brasil
Edifício Plaza Iguatemi
Por alexandre teixeira
Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2277, Edifício Plaza Iguatemi, Jardim Paulistano. Hábitat de tribos tão distintas como a turma descolada da África Publicidade e os engravatados da Aracruz Papel e Celulose, este endereço – numa das áreas mais nobres de São Paulo – esconde um centro financeiro peculiar. Ali não há bancões de varejo nem financeiras. Nada de guichês de atendimento nem caixas eletrônicos. A torre de 106 metros de altura, bem em frente ao Shopping Iguatemi, abriga em seus 21 andares personagens quase invisíveis do mundo das finanças, como o banqueiro Edmundo Safdié, antigo dono do Banco Cidade, com prestígio (e discrição) comparável ao de mitos como os irmãos Joseph e Moise Safra. Moise, aliás, está por ali também, com a M.Safra & Co., a gestora de recursos de seu lado da família, pilotada pelos seus três filhos homens. Fazem companhia a eles grifes financeiras nacionais, como o Opportunity de Daniel Dantas e a Mauá do ex-BC Luiz Fernando Figueiredo. Além de um seleto grupo de multinacionais, que inclui o alemão Dresdner Bank, o hoje americano Credit Suisse e o sul-africano Standard Bank. A partir de março, a área private do ABN Amro, para clientes de altíssima renda, instala-se no nono andar do condomínio. Na semana passada, caixas de bombons foram distribuídas pelos holandeses aos futuros vizinhos – concorrentes incluídos. “Nesse tipo de prédio tem tanto banqueiro que você pára de falar de negócios quando entra no elevador”, brinca Alexandre Borensztein, sócio do Banco Pátria responsável pela área de investimentos imobiliários. “A Faria Lima é hoje o centro financeiro que importa em São Paulo, e o Plaza é um dos prédios TOP”, avalia.
Subsidiária brasileira do Banque Safdié (instituição com sede na Suíça que concentra os negócios de Edmundo Safdié desde 2002, quando ele vendeu o Banco Cidade ao Bradesco por R$ 366 milhões), a Multi Bank DTVM é a cara do Plaza Iguatemi: low profile e milionária. Seu escritório no vigésimo primeiro andar do banco é privilegiado. Nenhum outro tem a mesma varanda, com uma vista estonteante da cidade. Primeiro inquilino do edifício, Safdié pôde escolher o melhor ponto. O foco da Multi Bank é a gestão de grandes fortunas, a partir de R$ 5 milhões. Funcionando desde 2003, a empresa já cuida de um patrimônio de R$ 300 milhões e está comprando mais um quarto de andar para acomodar a expansão de sua estrutura. “Este é o prédio mais bonito da América Latina”, diz Safdié, especializado em assessorar clientes europeus interessados em investir no Brasil. Seu escritório é uma pequena galeria de arte, com uma impressionante coleção de relógios, esculturas, estatuetas e pinturas, trazidas em sua maioria de Paris. Há um Di Cavalcanti numa das paredes e uma predileção por representações de três personagens históricos: Joana d’Arc, Napoleão Bonaparte e Golbery do Couto e Silva, braço direito do general-presidente Ernesto Geisel durante a ditadura militar. “Ele foi o Napoleão brasileiro, fez a nossa revolução”, diz o banqueiro, que era amigo chegado de Golbery.
Por mais que goste do prédio, Safdié nunca fez alarde da localização de seu escritório. Sua preocupação é preservar a privacidade de sua rica clientela. O mesmo vale para muitos de seus vizinhos: empresas sem clientes, que administram recursos próprios, como é o caso de diversos family offices, escritórios de finanças privadas, com analistas financeiros, contadores e advogados que funcionam como bancos com uma conta só. Eles formam um grupo de potenciais clientes cobiçados por gestoras de recursos como a Mauá, que administra R$ 1,2 bilhão em três fundos de investimento. Para elas, o Plaza é antes de tudo uma vitrine. “Estar aqui nos dá uma exposição interessante e nos aproxima do nosso público”, diz Figueiredo, da Mauá. “Além disso, estou a 7 minutos da minha casa.”
Mesmo para quem está a uma ponte aérea de distância, o Plaza tem suas conveniências. Dono do quarto maior private bank do País, com R$ 5 bilhões sob sua responsabilidade, o carioca Opportunity tem cerca de 40% de sua base de clientes em São Paulo e usa o 17o andar do edifício para atendê-la. “Este prédio tem umas facilidades que fazem a diferença”, resume Fernando Rodrigues, diretor do banco. Ele já recebeu clientes VIPs no heliponto do Plaza, desceu com eles pelo elevador privativo até o escritório e levou-os para almoçar no badalado Leopoldo (que fica no térreo) antes de devolvê-los à aeronave. Este heliponto, aliás, é uma das vedetes do edifício. Ele é o único do País projetado para suportar cargas de até 10 toneladas, o suficiente para receber o helicóptero do presidente dos Estados Unidos, que pesa 8 mil quilos.
Segurança e sigilo são regras de ouro do lado de dentro desta construção de estilo dito neorenascentista, cuja fachada é adornada por réplicas de moedas de 25 centavos. José Roberto Auriemo, construtor do edifício e dono de 50% dele, é amigo de vários de seus quase 40 inquilinos, mas não está autorizado a revelar seus nomes. Segundo ele, aproximadamente 70% deles são financistas. O aluguel de escritórios no Plaza Iguatemi custa, oficialmente, R$ 85 por metro quadrado. Na prática, fecha-se negócio por algo entre R$ 70 e R$ 75 o metro – pouco acima da média de R$ 69 calculada pela consultoria Jones Lang LaSalle para prédios comerciais do mais alto padrão.
Com 95% de sua área útil ocupada, por um dos mais exclusivos grupos de inquilinos do País, o Plaza Iguatemi é um sucesso de rentabilidade. Paira sobre ele, no entanto, uma nuvem carregada: o racha entre os sócios da IGW Trust, a empresa controladora do prédio. Exatos 50% das ações são de Auriemo; 25% da Partage Empreendimentos, controlada pelo empresário Adalmiro Dellape Baptista, do laboratório Aché, e 25% dos três filhos do falecido banqueiro Pedro Conde, ex-dono do Banco BCN – vendido para o Bradesco em 1997 por US$ 1,2 bilhão. O mais velho dos irmãos, Pedro Conde Filho, responsável pela vinda da rede de fast food KFC para o Brasil, nos anos 90, foi amigo íntimo de Auriemo por 35 anos. Um desentendimento pessoal, iniciado há dois anos, fez deles inimigos – e transformou a sociedade em uma batalha judicial. “Tivemos uma briga boba, por causa do horário de uma reunião, e nunca mais nos falamos”, relata Auriemo. “Ele acha que eu poso de dono do prédio.”
Pedro Conde Filho e seu irmão Francisco, donos de 16,6% da IGW, querem sair da sociedade. A irmã deles, Albertina, quer ficar. Problema: Auriemo tem direito de preferência na compra das ações e pretende exercê-lo. “Por seis vezes estivemos perto de um acordo, mas na hora agá eles sobem o preço”, queixa-se o construtor. Com o metro quadrado do edifício avaliado em aproximadamente R$ 8 mil, o Plaza Iguatemi valeria cerca de R$ 320 milhões. E a participação dos dois irmãos, R$ 53 milhões. O desenrolar do imbróglio, acompanhado de perto por gente com olhos de águia para negócios e dedos rápidos na calculadora, está nas mãos da Justiça.
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/441/financas/enderecos_fortunas.htm
Foto:http://vejasaopaulo.abril.com.br/arquivos/1983/cidade3.jpg
Plaza Iguatemi, a maior concentração de banqueiros por metro quadrado do Brasil
Edifício Plaza Iguatemi
Por alexandre teixeira
Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2277, Edifício Plaza Iguatemi, Jardim Paulistano. Hábitat de tribos tão distintas como a turma descolada da África Publicidade e os engravatados da Aracruz Papel e Celulose, este endereço – numa das áreas mais nobres de São Paulo – esconde um centro financeiro peculiar. Ali não há bancões de varejo nem financeiras. Nada de guichês de atendimento nem caixas eletrônicos. A torre de 106 metros de altura, bem em frente ao Shopping Iguatemi, abriga em seus 21 andares personagens quase invisíveis do mundo das finanças, como o banqueiro Edmundo Safdié, antigo dono do Banco Cidade, com prestígio (e discrição) comparável ao de mitos como os irmãos Joseph e Moise Safra. Moise, aliás, está por ali também, com a M.Safra & Co., a gestora de recursos de seu lado da família, pilotada pelos seus três filhos homens. Fazem companhia a eles grifes financeiras nacionais, como o Opportunity de Daniel Dantas e a Mauá do ex-BC Luiz Fernando Figueiredo. Além de um seleto grupo de multinacionais, que inclui o alemão Dresdner Bank, o hoje americano Credit Suisse e o sul-africano Standard Bank. A partir de março, a área private do ABN Amro, para clientes de altíssima renda, instala-se no nono andar do condomínio. Na semana passada, caixas de bombons foram distribuídas pelos holandeses aos futuros vizinhos – concorrentes incluídos. “Nesse tipo de prédio tem tanto banqueiro que você pára de falar de negócios quando entra no elevador”, brinca Alexandre Borensztein, sócio do Banco Pátria responsável pela área de investimentos imobiliários. “A Faria Lima é hoje o centro financeiro que importa em São Paulo, e o Plaza é um dos prédios TOP”, avalia.
Subsidiária brasileira do Banque Safdié (instituição com sede na Suíça que concentra os negócios de Edmundo Safdié desde 2002, quando ele vendeu o Banco Cidade ao Bradesco por R$ 366 milhões), a Multi Bank DTVM é a cara do Plaza Iguatemi: low profile e milionária. Seu escritório no vigésimo primeiro andar do banco é privilegiado. Nenhum outro tem a mesma varanda, com uma vista estonteante da cidade. Primeiro inquilino do edifício, Safdié pôde escolher o melhor ponto. O foco da Multi Bank é a gestão de grandes fortunas, a partir de R$ 5 milhões. Funcionando desde 2003, a empresa já cuida de um patrimônio de R$ 300 milhões e está comprando mais um quarto de andar para acomodar a expansão de sua estrutura. “Este é o prédio mais bonito da América Latina”, diz Safdié, especializado em assessorar clientes europeus interessados em investir no Brasil. Seu escritório é uma pequena galeria de arte, com uma impressionante coleção de relógios, esculturas, estatuetas e pinturas, trazidas em sua maioria de Paris. Há um Di Cavalcanti numa das paredes e uma predileção por representações de três personagens históricos: Joana d’Arc, Napoleão Bonaparte e Golbery do Couto e Silva, braço direito do general-presidente Ernesto Geisel durante a ditadura militar. “Ele foi o Napoleão brasileiro, fez a nossa revolução”, diz o banqueiro, que era amigo chegado de Golbery.
Por mais que goste do prédio, Safdié nunca fez alarde da localização de seu escritório. Sua preocupação é preservar a privacidade de sua rica clientela. O mesmo vale para muitos de seus vizinhos: empresas sem clientes, que administram recursos próprios, como é o caso de diversos family offices, escritórios de finanças privadas, com analistas financeiros, contadores e advogados que funcionam como bancos com uma conta só. Eles formam um grupo de potenciais clientes cobiçados por gestoras de recursos como a Mauá, que administra R$ 1,2 bilhão em três fundos de investimento. Para elas, o Plaza é antes de tudo uma vitrine. “Estar aqui nos dá uma exposição interessante e nos aproxima do nosso público”, diz Figueiredo, da Mauá. “Além disso, estou a 7 minutos da minha casa.”
Mesmo para quem está a uma ponte aérea de distância, o Plaza tem suas conveniências. Dono do quarto maior private bank do País, com R$ 5 bilhões sob sua responsabilidade, o carioca Opportunity tem cerca de 40% de sua base de clientes em São Paulo e usa o 17o andar do edifício para atendê-la. “Este prédio tem umas facilidades que fazem a diferença”, resume Fernando Rodrigues, diretor do banco. Ele já recebeu clientes VIPs no heliponto do Plaza, desceu com eles pelo elevador privativo até o escritório e levou-os para almoçar no badalado Leopoldo (que fica no térreo) antes de devolvê-los à aeronave. Este heliponto, aliás, é uma das vedetes do edifício. Ele é o único do País projetado para suportar cargas de até 10 toneladas, o suficiente para receber o helicóptero do presidente dos Estados Unidos, que pesa 8 mil quilos.
Segurança e sigilo são regras de ouro do lado de dentro desta construção de estilo dito neorenascentista, cuja fachada é adornada por réplicas de moedas de 25 centavos. José Roberto Auriemo, construtor do edifício e dono de 50% dele, é amigo de vários de seus quase 40 inquilinos, mas não está autorizado a revelar seus nomes. Segundo ele, aproximadamente 70% deles são financistas. O aluguel de escritórios no Plaza Iguatemi custa, oficialmente, R$ 85 por metro quadrado. Na prática, fecha-se negócio por algo entre R$ 70 e R$ 75 o metro – pouco acima da média de R$ 69 calculada pela consultoria Jones Lang LaSalle para prédios comerciais do mais alto padrão.
Com 95% de sua área útil ocupada, por um dos mais exclusivos grupos de inquilinos do País, o Plaza Iguatemi é um sucesso de rentabilidade. Paira sobre ele, no entanto, uma nuvem carregada: o racha entre os sócios da IGW Trust, a empresa controladora do prédio. Exatos 50% das ações são de Auriemo; 25% da Partage Empreendimentos, controlada pelo empresário Adalmiro Dellape Baptista, do laboratório Aché, e 25% dos três filhos do falecido banqueiro Pedro Conde, ex-dono do Banco BCN – vendido para o Bradesco em 1997 por US$ 1,2 bilhão. O mais velho dos irmãos, Pedro Conde Filho, responsável pela vinda da rede de fast food KFC para o Brasil, nos anos 90, foi amigo íntimo de Auriemo por 35 anos. Um desentendimento pessoal, iniciado há dois anos, fez deles inimigos – e transformou a sociedade em uma batalha judicial. “Tivemos uma briga boba, por causa do horário de uma reunião, e nunca mais nos falamos”, relata Auriemo. “Ele acha que eu poso de dono do prédio.”
Pedro Conde Filho e seu irmão Francisco, donos de 16,6% da IGW, querem sair da sociedade. A irmã deles, Albertina, quer ficar. Problema: Auriemo tem direito de preferência na compra das ações e pretende exercê-lo. “Por seis vezes estivemos perto de um acordo, mas na hora agá eles sobem o preço”, queixa-se o construtor. Com o metro quadrado do edifício avaliado em aproximadamente R$ 8 mil, o Plaza Iguatemi valeria cerca de R$ 320 milhões. E a participação dos dois irmãos, R$ 53 milhões. O desenrolar do imbróglio, acompanhado de perto por gente com olhos de águia para negócios e dedos rápidos na calculadora, está nas mãos da Justiça.
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/441/financas/enderecos_fortunas.htm
Foto:http://vejasaopaulo.abril.com.br/arquivos/1983/cidade3.jpg
sábado, 3 de maio de 2008
Grupo inglês oferece R$ 500 milhões por terreno no Itaim Bibi
Fonte: Folha De São Paulo
Compra da área em São Paulo poderá ser o maior negócio imobiliário já feito no país e um dos maiores do mundo
Empreendimento deverá abrigar escritórios, lojas e até um hotel com duas torres de 19 andares na av. Brigadeiro Faria Lima
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
CINTHIA RODRIGUES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Duas luxuosas torres de 19 andares deverão ocupar a última grande área do bairro comercial mais caro de São Paulo, o Itaim Bibi, na zona oeste. O grupo inglês McCafferty Funding ofereceu R$ 500 milhões por um terreno de 19 mil m2 -área de cerca de três campos de futebol- com frente para a avenida Brigadeiro Faria Lima.
A compra poderá ser o maior negócio imobiliário já feito no país e possivelmente um dos mais caros do mundo, com preços compatíveis com Londres e Hong Kong. A negociação foi revelada ontem em reportagem do jornal "Valor".
A McCafferty administra imóveis. Não se conhece ainda a identidade do grupo comprador para o qual ela trabalha.
No início dos ano 80, em pleno boom imobiliário da região, o imóvel foi comprado pelo empresário Naji Nahas, que pretendia construir ali um shopping. O projeto esbarrou no tombamento do local como patrimônio histórico por causa da Casa Bandeirista, um posto de observação que teria sido usado pelos bandeirantes Fernão Dias e Borba Gato.
O terreno acabou sendo vendido para um grupo saudita. Nem o shopping foi construído nem a casa, preservada. Em 1999, o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) fez um acordo com a Comercial Bela Vista, representante no Brasil do imóvel, para tentar recuperar as ruínas da casa de barro.
Um projeto para a construção de 80 mil m2 distribuídos em duas torres de 19 andares foi aprovado desde que a Casa Bandeirista fosse recuperada, bem no meio do terreno. A Secretaria Municipal da Cultura confirmou ontem que este acordo ainda é válido.
Processo
Em agosto de 2003, o Ministério Público abriu um processo contra a empresa por entender que as ruínas não estavam sendo preservadas. "A prefeitura permitiu a construção, mas não houve preservação do patrimônio", disse a promotora Mariza Schiazo Tucunduva.
Segundo ela, após quase cinco anos, a proprietária voltou a se interessar pelo processo neste ano, e houve uma reunião em 8 de janeiro. "Depois disso, um advogado esteve aqui para tratar do cronograma de obras", afirmou Tucunduva. Ela diz que tanto a prefeitura quanto o Ministério Público não precisam aprovar a venda. "O novo proprietário estará sujeito ao mesmo acordo."
Com as regras de construção cada vez mais rígidas, a prévia aprovação pesou na negociação, segundo imobiliárias brasileiras que acompanharam a megaoperação.
Com 200 metros de frente, o novo empreendimento deverá abrigar escritórios, lojas e até um hotel.
Para se viabilizar economicamente, o prédio terá de ter aluguéis superiores a R$ 300 o metro quadrado. Hoje, a região da Faria Lima -que tem o metro quadrado comercial mais caro do país- tem aluguel máximo de R$ 130 por m2.
Compra da área em São Paulo poderá ser o maior negócio imobiliário já feito no país e um dos maiores do mundo
Empreendimento deverá abrigar escritórios, lojas e até um hotel com duas torres de 19 andares na av. Brigadeiro Faria Lima
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
CINTHIA RODRIGUES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Duas luxuosas torres de 19 andares deverão ocupar a última grande área do bairro comercial mais caro de São Paulo, o Itaim Bibi, na zona oeste. O grupo inglês McCafferty Funding ofereceu R$ 500 milhões por um terreno de 19 mil m2 -área de cerca de três campos de futebol- com frente para a avenida Brigadeiro Faria Lima.
A compra poderá ser o maior negócio imobiliário já feito no país e possivelmente um dos mais caros do mundo, com preços compatíveis com Londres e Hong Kong. A negociação foi revelada ontem em reportagem do jornal "Valor".
A McCafferty administra imóveis. Não se conhece ainda a identidade do grupo comprador para o qual ela trabalha.
No início dos ano 80, em pleno boom imobiliário da região, o imóvel foi comprado pelo empresário Naji Nahas, que pretendia construir ali um shopping. O projeto esbarrou no tombamento do local como patrimônio histórico por causa da Casa Bandeirista, um posto de observação que teria sido usado pelos bandeirantes Fernão Dias e Borba Gato.
O terreno acabou sendo vendido para um grupo saudita. Nem o shopping foi construído nem a casa, preservada. Em 1999, o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) fez um acordo com a Comercial Bela Vista, representante no Brasil do imóvel, para tentar recuperar as ruínas da casa de barro.
Um projeto para a construção de 80 mil m2 distribuídos em duas torres de 19 andares foi aprovado desde que a Casa Bandeirista fosse recuperada, bem no meio do terreno. A Secretaria Municipal da Cultura confirmou ontem que este acordo ainda é válido.
Processo
Em agosto de 2003, o Ministério Público abriu um processo contra a empresa por entender que as ruínas não estavam sendo preservadas. "A prefeitura permitiu a construção, mas não houve preservação do patrimônio", disse a promotora Mariza Schiazo Tucunduva.
Segundo ela, após quase cinco anos, a proprietária voltou a se interessar pelo processo neste ano, e houve uma reunião em 8 de janeiro. "Depois disso, um advogado esteve aqui para tratar do cronograma de obras", afirmou Tucunduva. Ela diz que tanto a prefeitura quanto o Ministério Público não precisam aprovar a venda. "O novo proprietário estará sujeito ao mesmo acordo."
Com as regras de construção cada vez mais rígidas, a prévia aprovação pesou na negociação, segundo imobiliárias brasileiras que acompanharam a megaoperação.
Com 200 metros de frente, o novo empreendimento deverá abrigar escritórios, lojas e até um hotel.
Para se viabilizar economicamente, o prédio terá de ter aluguéis superiores a R$ 300 o metro quadrado. Hoje, a região da Faria Lima -que tem o metro quadrado comercial mais caro do país- tem aluguel máximo de R$ 130 por m2.
Demanda por escritórios aquece o mercado
Demanda por escritórios aquece o mercado
DCI, Cynara Escobar, 28/abr
A alta demanda por escritórios de luxo para atender empresas de grande porte no mercado interno em expansão ou em processos de fusão e aquisição, além da instalação de grupos internacionais no País, está ampliando os negócios da Cyrela Commercial Properties, São Carlos Empreendimentos e Participações e Jones Lang LaSalle, que estimam até dobrar de tamanho por conta da valorização deste mercado. A avidez por escritórios tem feito com que boa parte dos novos metros quadrados seja entregue já totalmente locados.
É o caso do edifício JK 1455, empreendimento que está prestes a ser inaugurado pela Cyrela Commercial Properties (CCP) na Avenida Juscelino Kubitschek, na zona sul de São Paulo. Além de estar 100% locado, o aluguel médio do edifício é de R$ 100 por metro quadrado (m²). A Unilever já reservou três andares no edifício, que também terá como inquilino o grupo Libra e o fundo internacional Western Asset Management. "Estamos vendo um mercado muito aquecido. Só com os novos projetos que já anunciamos, a empresa irá dobrar de tamanho até 2012. Isso sem contar os que vêm por aí", afirma Dani Ajbeszyc, diretor de Relações com Investidores da CCP, que em 2007, alcançou R$ 90,3 milhões de receita em seu primeiro ano de operação.
Segundo ele, esta projeção vem da multiplicação dos projetos que a empresa mantém em construção e desenvolvimento pelo preço de locação de suas regiões. Atualmente, a empresa totaliza 103,6 mil m² em novas áreas, que podem gerar de seis a 11 novos projetos nos próximos quatro anos. De acordo com a empresa, as novas áreas vão ampliar a atuação no Rio de Janeiro.
Os projetos de incorporação devem continuar dando o tom da atuação da empresa, que nasceu da cisão de uma divisão da Cyrela Brazil Realty dedicada ao segmento de edifícios corporativos.
"Começamos desenvolver novos projetos, para atender a qualidade dos empreendimentos e conseguimos nos antecipar ao movimento de valorização dos imóveis. Por conta disso, hoje temos um portfólio de cinco prédios em uma região de destaque, nas avenidas Faria Lima e Juscelino Kubitschek, em São Paulo", exalta o diretor.
A Avenida Brigadeiro Faria Lima, ligação entre as zonas oeste e sul de São Paulo, é atualmente o endereço mais caro da cidade no mercado de escritórios. De acordo com o balanço feito pela consultoria Colliers International, o valor médio do aluguel na região subiu 43% em 2007 e registrou R$ 130 por m².
Uma amostra deste aquecimento na região é a movimentação que ainda ocorre no Faria Lima Financial Center, entregue em 2003. "Teremos um contrato de 110 m² neste edifício e o Itaú BBA, que tem seis andares, está pegando mais dois", conta.
Valorização
Originada de um braço imobiliário da Lojas Americanas, a especialidade da São Carlos Empreendimentos e Participações é adquirir imóveis comerciais já disponíveis no mercado, alugá-los para empresas de primeira linha e ajustá-los em busca de valorização. Se em 2007, a empresa gastou R$ 250 milhões para realizar as aquisições e conseguiu elevar seu portfólio em 90%, este ano não será diferente. "Pretendemos alcançar pelo menos o mesmo patamar em aquisições este ano", afirma Rolando Mifano, presidente da empresa.
Além disso, a empresa conseguiu uma elevação média de 32% no aluguel do seu portfólio, que conta com 44 imóveis e tem valor de mercado estimado em R$ 1,6 bilhão. Com isso, alcançou R$ 100 milhões de receita, alta de 34% e conta atualmente com 110 locatários. "Geralmente, quando compramos um imóvel ele não está bem administrado. Sempre procuramos ter o controle total do empreendimento para poder fazer os ajustes necessários para que ele atinja o máximo de valorização", explica o empresário.
Embora não descarte novos projetos de incorporação, a empresa considera que há menos risco nas aquisições. "Um prédio pronto já tem locatários e é possível detectar os itens necessários ao fazer a compra. Já a incorporação é mais demorada, uma construção pode levar dois anos e o mercado pode mudar neste período", argumenta.
Este ano, a empresa entregou ao mercado seu primeiro projeto de incorporação, o Eldorado Business Tower, feito em parceria com a Gafisa. Antes da conclusão, o edifício já estava totalmente locado para empresas como a Odebrecht, Gerdau, Unibanco e o banco Pine.
"Por conta da boa gestão que fazemos em nossos empreendimentos, somos procurados pelas empresas que querem investir em um novo imóvel. A estratégia é saber antecipar o que o locatário quer antes dele pedir", teoriza o empresário, que cita a Odebrecht como um exemplo. "Eles são nossos inquilinos em um edifício no Rio de Janeiro e nos procuraram para alugar no Eldorado e alugaram vários andares", diz.
Crescimento
A assessoria a empresas que querem "mudar de casa" é a que mais cresce na operação brasileira da Jones Lang LaSalle, multinacional de consultoria imobiliária comercial e industrial, presente em mais de 50 países com faturamento anual de US$ 2 bilhões. Também chamada de soluções corporativas, a unidade integra gerenciamento de projetos com a representação do cliente na busca de um novo espaço.
"Essa área vem crescendo acima de 50% ao ano", diz Guilherme Soares, diretor de gerenciamento de projetos de obras da Jones Lang LaSalle, que geralmente atua em dupla com a gerente de representação de ocupantes, Mônica Lee. Recentemente, a área realocou um escritório da Adidas e de seu centro de distribuição.
A empresa define qual o melhor padrão de ocupação e de solução de investimento. "As empresas estão cada vez mais dinâmicas, e os escritórios, cada vez mais modernos, estão com mais capacidade de flexibilização", comenta o diretor, que atualmente, está com dois estudos para avaliar a reforma de um imóvel para um cliente na avenida Paulista.
Por conta da alta demanda por escritórios de alto padrão, a Cyrela Commercial Properties espera dobrar de tamanho até 2012. Já a São Carlos aposta em novas aquisições e Jones Lang La Salle vê alta em consultoria.
Médio padrão registra maior alta em 12 meses
Os edifícios de padrão médio, que são aqueles com metragens menores e desprovidos de itens de conforto, como garagem, também registraram alta dos aluguéis no mês de março, de acordo com o balanço mensal realizado pelo Grupo Hubert, de administração de imóveis e condomínios, em 2 mil imóveis na cidade de São Paulo.
Com a alta média de 2,09% em março, o aluguel comercial subiu 13,51% nas principais regiões da capital, nos últimos 12 meses.
De acordo com o estudo, a alta ganhou com folga da inflação em ambos os períodos, conforme o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M).
Para Hubert Gebara, diretor da empresa, o resultado refletiu em março a demanda crescente por escritórios de médio padrão nas principais regiões da cidade.
"Se consideramos o avanço médio de 13,51% em 12 meses, essa rentabilidade superou a média dos fundos de renda fixa no período", avalia.
Entre as quatro regiões pesquisadas, a da avenida Paulista manteve a liderança, com aumento de 2,54% sobre o mês anterior, seguida pela da Faria Lima (2,22%). Nas duas regiões, o índice foi o maior dos últimos 12 meses. Na região central, dividida em nova e velha, as altas foram de 2,09% e 1,91%.
DCI, Cynara Escobar, 28/abr
A alta demanda por escritórios de luxo para atender empresas de grande porte no mercado interno em expansão ou em processos de fusão e aquisição, além da instalação de grupos internacionais no País, está ampliando os negócios da Cyrela Commercial Properties, São Carlos Empreendimentos e Participações e Jones Lang LaSalle, que estimam até dobrar de tamanho por conta da valorização deste mercado. A avidez por escritórios tem feito com que boa parte dos novos metros quadrados seja entregue já totalmente locados.
É o caso do edifício JK 1455, empreendimento que está prestes a ser inaugurado pela Cyrela Commercial Properties (CCP) na Avenida Juscelino Kubitschek, na zona sul de São Paulo. Além de estar 100% locado, o aluguel médio do edifício é de R$ 100 por metro quadrado (m²). A Unilever já reservou três andares no edifício, que também terá como inquilino o grupo Libra e o fundo internacional Western Asset Management. "Estamos vendo um mercado muito aquecido. Só com os novos projetos que já anunciamos, a empresa irá dobrar de tamanho até 2012. Isso sem contar os que vêm por aí", afirma Dani Ajbeszyc, diretor de Relações com Investidores da CCP, que em 2007, alcançou R$ 90,3 milhões de receita em seu primeiro ano de operação.
Segundo ele, esta projeção vem da multiplicação dos projetos que a empresa mantém em construção e desenvolvimento pelo preço de locação de suas regiões. Atualmente, a empresa totaliza 103,6 mil m² em novas áreas, que podem gerar de seis a 11 novos projetos nos próximos quatro anos. De acordo com a empresa, as novas áreas vão ampliar a atuação no Rio de Janeiro.
Os projetos de incorporação devem continuar dando o tom da atuação da empresa, que nasceu da cisão de uma divisão da Cyrela Brazil Realty dedicada ao segmento de edifícios corporativos.
"Começamos desenvolver novos projetos, para atender a qualidade dos empreendimentos e conseguimos nos antecipar ao movimento de valorização dos imóveis. Por conta disso, hoje temos um portfólio de cinco prédios em uma região de destaque, nas avenidas Faria Lima e Juscelino Kubitschek, em São Paulo", exalta o diretor.
A Avenida Brigadeiro Faria Lima, ligação entre as zonas oeste e sul de São Paulo, é atualmente o endereço mais caro da cidade no mercado de escritórios. De acordo com o balanço feito pela consultoria Colliers International, o valor médio do aluguel na região subiu 43% em 2007 e registrou R$ 130 por m².
Uma amostra deste aquecimento na região é a movimentação que ainda ocorre no Faria Lima Financial Center, entregue em 2003. "Teremos um contrato de 110 m² neste edifício e o Itaú BBA, que tem seis andares, está pegando mais dois", conta.
Valorização
Originada de um braço imobiliário da Lojas Americanas, a especialidade da São Carlos Empreendimentos e Participações é adquirir imóveis comerciais já disponíveis no mercado, alugá-los para empresas de primeira linha e ajustá-los em busca de valorização. Se em 2007, a empresa gastou R$ 250 milhões para realizar as aquisições e conseguiu elevar seu portfólio em 90%, este ano não será diferente. "Pretendemos alcançar pelo menos o mesmo patamar em aquisições este ano", afirma Rolando Mifano, presidente da empresa.
Além disso, a empresa conseguiu uma elevação média de 32% no aluguel do seu portfólio, que conta com 44 imóveis e tem valor de mercado estimado em R$ 1,6 bilhão. Com isso, alcançou R$ 100 milhões de receita, alta de 34% e conta atualmente com 110 locatários. "Geralmente, quando compramos um imóvel ele não está bem administrado. Sempre procuramos ter o controle total do empreendimento para poder fazer os ajustes necessários para que ele atinja o máximo de valorização", explica o empresário.
Embora não descarte novos projetos de incorporação, a empresa considera que há menos risco nas aquisições. "Um prédio pronto já tem locatários e é possível detectar os itens necessários ao fazer a compra. Já a incorporação é mais demorada, uma construção pode levar dois anos e o mercado pode mudar neste período", argumenta.
Este ano, a empresa entregou ao mercado seu primeiro projeto de incorporação, o Eldorado Business Tower, feito em parceria com a Gafisa. Antes da conclusão, o edifício já estava totalmente locado para empresas como a Odebrecht, Gerdau, Unibanco e o banco Pine.
"Por conta da boa gestão que fazemos em nossos empreendimentos, somos procurados pelas empresas que querem investir em um novo imóvel. A estratégia é saber antecipar o que o locatário quer antes dele pedir", teoriza o empresário, que cita a Odebrecht como um exemplo. "Eles são nossos inquilinos em um edifício no Rio de Janeiro e nos procuraram para alugar no Eldorado e alugaram vários andares", diz.
Crescimento
A assessoria a empresas que querem "mudar de casa" é a que mais cresce na operação brasileira da Jones Lang LaSalle, multinacional de consultoria imobiliária comercial e industrial, presente em mais de 50 países com faturamento anual de US$ 2 bilhões. Também chamada de soluções corporativas, a unidade integra gerenciamento de projetos com a representação do cliente na busca de um novo espaço.
"Essa área vem crescendo acima de 50% ao ano", diz Guilherme Soares, diretor de gerenciamento de projetos de obras da Jones Lang LaSalle, que geralmente atua em dupla com a gerente de representação de ocupantes, Mônica Lee. Recentemente, a área realocou um escritório da Adidas e de seu centro de distribuição.
A empresa define qual o melhor padrão de ocupação e de solução de investimento. "As empresas estão cada vez mais dinâmicas, e os escritórios, cada vez mais modernos, estão com mais capacidade de flexibilização", comenta o diretor, que atualmente, está com dois estudos para avaliar a reforma de um imóvel para um cliente na avenida Paulista.
Por conta da alta demanda por escritórios de alto padrão, a Cyrela Commercial Properties espera dobrar de tamanho até 2012. Já a São Carlos aposta em novas aquisições e Jones Lang La Salle vê alta em consultoria.
Médio padrão registra maior alta em 12 meses
Os edifícios de padrão médio, que são aqueles com metragens menores e desprovidos de itens de conforto, como garagem, também registraram alta dos aluguéis no mês de março, de acordo com o balanço mensal realizado pelo Grupo Hubert, de administração de imóveis e condomínios, em 2 mil imóveis na cidade de São Paulo.
Com a alta média de 2,09% em março, o aluguel comercial subiu 13,51% nas principais regiões da capital, nos últimos 12 meses.
De acordo com o estudo, a alta ganhou com folga da inflação em ambos os períodos, conforme o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M).
Para Hubert Gebara, diretor da empresa, o resultado refletiu em março a demanda crescente por escritórios de médio padrão nas principais regiões da cidade.
"Se consideramos o avanço médio de 13,51% em 12 meses, essa rentabilidade superou a média dos fundos de renda fixa no período", avalia.
Entre as quatro regiões pesquisadas, a da avenida Paulista manteve a liderança, com aumento de 2,54% sobre o mês anterior, seguida pela da Faria Lima (2,22%). Nas duas regiões, o índice foi o maior dos últimos 12 meses. Na região central, dividida em nova e velha, as altas foram de 2,09% e 1,91%.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Luxos
O Globo Especial Morar Bem,
Luciana Calaza, 10/abr
Nada para fazer no fim de semana? Então ligue para o seu corretor de imóveis e informe-se sobre os lançamentos imobiliários na cidade. Há de ter um bom programa no estande de vendas de um eles:um show de um grande artista da MPB, uma degustação de pratos criados por um famoso chef, o lançamento da última coleção de uma joalheria ou um aventureiro passeio de balão. É assim, com pequenos luxos (gratuitos), que estão sendo lançados os empreendimentos no Rio de Janeiro os mais sofisticados, claro.
O showroom do Riserva Uno, projeto da RJZ/Cyrela na Barra, tem dois mil metros quadrados de área e dois apartamentos luxuosamente decorados de 290 e 550 metros quadrados, com preço médio de R$ 2 milhões. Ali foi montada a réplica de uma loja Louis Vuitton. Durante três dias, o espaço abrigou a coleção primavera-verão da grife, que ainda nem havia chegado à loja de Ipanema. Os possíveis compradores eram recebidos com iguarias de um bufe assinado pelo chef Danio Braga.
Num outro lançamento, o do Lês Residenc'es de Mônaco, também na Barra, RJZ/Cyrela e Brascan montaram uma exposição de jóias Cartier, com cem peças, dentro do apartamento decorado com 794 metros quadrados e preço de R$ 4 milhões sendo a primeira vez que a joalheria fez um showroom fora de suas lojas. Num outro dia, as construtoras convidaram potenciais compradores para assistir a um show da cantora Maria Rita, apresentado na sala do apartamento assinado pela arquiteta Débora Aguiar.
A idéia foi juntar duas marcas para atrair um público seleto. A divulgação tradicional tem resultado, mas atrai tanto o público alvo do empreendimento como quem não tem o perfil diz Augusto Ezagui, superintende da Brascan.
No lançamento dos primeiros condomínios da Península, um gigantesco complexo de entretenimento foi montado no local, na Barra. A programação reunia espetáculos musicais, rali automobilístico e exposição de motos, entre várias outras atividades de lazer. Recentemente, para vender os apartamentos dos condomínios Saint Barth e Saint Martin (o primeiro, com unidades de quatro suítes, a um preço médio de R$ 1,2 milhão, e o segundo, com duas, três ou quatro suítes, com preço médio de R$ 500 mil), A Brascan pensou alto na hora de levar o interessado em comprar um apartamento para conhecer as terras de um empreendimento: no lançamento do Santa Mônica Jardins Condominium Club, na Barra, o passeio era de balão. A ideia? Dar uma noção de como será a vista da janela no sétimo andar, por exemplo.
Unimos a vontade das pessoas de fazer um programa inusitado à chance de mostrar para o cliente a dimensão do empreendimento e a real noção de qual será a, vista que ele terá explica Ezagy
O vice-presidente da RJZ/Cyrda, Rogério Zylberstajn, explica que tudo isso é para levar o potencial cliente para conhecer os imóveis decorados.
Essa é a nossa ferramenta de venda mais importante. Quando os apartamentos decorados eram uma novidade, ficava fácil levar gente até eles. Agora, não é mais diz Zylberstajn, que aposta em públicos específicos de alto padrão promovendo eventos de golfe e leilões de cavalos durante os lançamentos.
Mas será que com tanta programação não há o risco de atrair gente que não está nem aí para imóveis? Como estamos vivendo um momento muito favorável à compra de imóveis, por causa de fatores como a estabilidade econômica, a abundância de crédito imobiliário e a queda dos juros dos financiamentos, é difícil dizer se vendemos muito por causa dos eventos ou do cenário econômico.
O fato é que não podemos deixar de oferecer esses mimos aos dentro do novo "bairro"planejado, as construtoras RJZ/Cyrela e Carvalho Hosken gastaram R$ 12 milhões na montagem do showroom Barra Experience. Ali estão seis apartamentos decorados por profissionais como Cristina Bezamat, Fernanda Marques e Débora Aguiar, além de versões reduzidas de áreas de lazer que farão parte do empreendimento restaurante, biblioteca, spa, sala de cinema e adega.
Cada canto é assinado por uma grife famosa: o Espaço Gourmet, por exemplo, :em pratos criados pela chef Flavia Quaresma; a adega, uma carta de vinhos elaborada por Danio Braga;o cinema é Armazém Digital;a academia é Reebok; e o spa é LOccitane. E, no evento de lançamento, todos esses profissionais participaram conta Ricardo Corrêa, diretor de marketing da Carvalho Hosken.
Além desses atrativos, a Península oferece aos interessados na compra de um imóvel um passeio de balsa pela Lagoa da Tijuca. Em outro bairro planejado pela RJZ/Cyrela e Carvalho Hosken, o Cidade Jardim, que tem 512 mil metros quadrados, os visitantes também podem fazer um passeio nesse caso, num carrinho elétrico de golfe.
Paga-se uma fortuna para ir a santuários ecológicos e conhecer ninhais e ver aves e manguezais. E temos tudo aqui, em pleno centro urbano da Barra. No caso da Península, ver. isso do espelho d'água é um espetáculo maravilhoso garante Corrêa.
Luciana Calaza, 10/abr
Nada para fazer no fim de semana? Então ligue para o seu corretor de imóveis e informe-se sobre os lançamentos imobiliários na cidade. Há de ter um bom programa no estande de vendas de um eles:um show de um grande artista da MPB, uma degustação de pratos criados por um famoso chef, o lançamento da última coleção de uma joalheria ou um aventureiro passeio de balão. É assim, com pequenos luxos (gratuitos), que estão sendo lançados os empreendimentos no Rio de Janeiro os mais sofisticados, claro.
O showroom do Riserva Uno, projeto da RJZ/Cyrela na Barra, tem dois mil metros quadrados de área e dois apartamentos luxuosamente decorados de 290 e 550 metros quadrados, com preço médio de R$ 2 milhões. Ali foi montada a réplica de uma loja Louis Vuitton. Durante três dias, o espaço abrigou a coleção primavera-verão da grife, que ainda nem havia chegado à loja de Ipanema. Os possíveis compradores eram recebidos com iguarias de um bufe assinado pelo chef Danio Braga.
Num outro lançamento, o do Lês Residenc'es de Mônaco, também na Barra, RJZ/Cyrela e Brascan montaram uma exposição de jóias Cartier, com cem peças, dentro do apartamento decorado com 794 metros quadrados e preço de R$ 4 milhões sendo a primeira vez que a joalheria fez um showroom fora de suas lojas. Num outro dia, as construtoras convidaram potenciais compradores para assistir a um show da cantora Maria Rita, apresentado na sala do apartamento assinado pela arquiteta Débora Aguiar.
A idéia foi juntar duas marcas para atrair um público seleto. A divulgação tradicional tem resultado, mas atrai tanto o público alvo do empreendimento como quem não tem o perfil diz Augusto Ezagui, superintende da Brascan.
No lançamento dos primeiros condomínios da Península, um gigantesco complexo de entretenimento foi montado no local, na Barra. A programação reunia espetáculos musicais, rali automobilístico e exposição de motos, entre várias outras atividades de lazer. Recentemente, para vender os apartamentos dos condomínios Saint Barth e Saint Martin (o primeiro, com unidades de quatro suítes, a um preço médio de R$ 1,2 milhão, e o segundo, com duas, três ou quatro suítes, com preço médio de R$ 500 mil), A Brascan pensou alto na hora de levar o interessado em comprar um apartamento para conhecer as terras de um empreendimento: no lançamento do Santa Mônica Jardins Condominium Club, na Barra, o passeio era de balão. A ideia? Dar uma noção de como será a vista da janela no sétimo andar, por exemplo.
Unimos a vontade das pessoas de fazer um programa inusitado à chance de mostrar para o cliente a dimensão do empreendimento e a real noção de qual será a, vista que ele terá explica Ezagy
O vice-presidente da RJZ/Cyrda, Rogério Zylberstajn, explica que tudo isso é para levar o potencial cliente para conhecer os imóveis decorados.
Essa é a nossa ferramenta de venda mais importante. Quando os apartamentos decorados eram uma novidade, ficava fácil levar gente até eles. Agora, não é mais diz Zylberstajn, que aposta em públicos específicos de alto padrão promovendo eventos de golfe e leilões de cavalos durante os lançamentos.
Mas será que com tanta programação não há o risco de atrair gente que não está nem aí para imóveis? Como estamos vivendo um momento muito favorável à compra de imóveis, por causa de fatores como a estabilidade econômica, a abundância de crédito imobiliário e a queda dos juros dos financiamentos, é difícil dizer se vendemos muito por causa dos eventos ou do cenário econômico.
O fato é que não podemos deixar de oferecer esses mimos aos dentro do novo "bairro"planejado, as construtoras RJZ/Cyrela e Carvalho Hosken gastaram R$ 12 milhões na montagem do showroom Barra Experience. Ali estão seis apartamentos decorados por profissionais como Cristina Bezamat, Fernanda Marques e Débora Aguiar, além de versões reduzidas de áreas de lazer que farão parte do empreendimento restaurante, biblioteca, spa, sala de cinema e adega.
Cada canto é assinado por uma grife famosa: o Espaço Gourmet, por exemplo, :em pratos criados pela chef Flavia Quaresma; a adega, uma carta de vinhos elaborada por Danio Braga;o cinema é Armazém Digital;a academia é Reebok; e o spa é LOccitane. E, no evento de lançamento, todos esses profissionais participaram conta Ricardo Corrêa, diretor de marketing da Carvalho Hosken.
Além desses atrativos, a Península oferece aos interessados na compra de um imóvel um passeio de balsa pela Lagoa da Tijuca. Em outro bairro planejado pela RJZ/Cyrela e Carvalho Hosken, o Cidade Jardim, que tem 512 mil metros quadrados, os visitantes também podem fazer um passeio nesse caso, num carrinho elétrico de golfe.
Paga-se uma fortuna para ir a santuários ecológicos e conhecer ninhais e ver aves e manguezais. E temos tudo aqui, em pleno centro urbano da Barra. No caso da Península, ver. isso do espelho d'água é um espetáculo maravilhoso garante Corrêa.
sexta-feira, 21 de março de 2008
Compromisso histórico da magistratura
Elias Mattar Assad
Quem advogou antes do advento da atual Constituição Federal (1988), pode recordar que os magistrados brasileiros tinham como regra o cumprimento rigoroso das leis processuais penais. Basta consultar a jurisprudência entre os anos de 1978/1988, mormente em decisões concessivas de "habeas corpus" para a constatação de que eram efetivamente assegurados, no processo penal brasileiro, os "direitos e garantias individuais" da CF anterior. Por paradoxal que possa parecer, após o advento da atual constituição ("cidadã"), a jurisprudência começou a retrogradar com o norte de sua "bússola" apontando mais para o odioso "AI n.º5" que para assegurar os novos "direitos funtamentais".
Como advogado e vivendo desde 1980 exclusivamente da minha ante-sala, posso lembrar aos mais novos que quando alguém era preso em flagrante delito ou mesmo preventivamente, da primeira análise do processo e com a constatação de que o acusado reunia os pressupostos objetivos e subjetivos para responder em liberdade, a fé no Judiciário como guardião da legalidade era tanta que quase dava para garantir para familiares do aprisionado que o "habeas corpus", ou "pedido de liberdade" seria atendido. Imperava a técnica sobre as vontades pessoais. Prisão, só com legalidade! Não tínhamos esse elenco maravilhoso de "direitos fundamentais" da atual CF, mas juízes com a noção exata de seu papel e de seus deveres para com a nação (norma violada = "expeça-se alvará de soltura").
Lamentavelmente para a cidadania, foi a partir desta CF que começamos ouvir algumas conversas e raciocínios estranhos nos corredores dos juízos e tribunais: "reunir o acusado os pressupostos objetivos e subjetivos, não impede prisão..."; "a prisão deve ser mantida como resposta para a sociedade abalada..."; "clamor público"; "receio de fuga"; "garantia de ordem pública ou social"; "superação de excesso de prazo"; "conjunto probatório recomenda..." entre outras expressões sistemáticamente enganadoras, apenas para tentar justificar imposições de vontades pessoais sobre o princípio da legalidade (determinações de pessoas e não da lei). "Devido processo legal" e "devido processo judicial" são coisas diversas. Neste, ter o réu seis filhos pode ser agravante se o juiz for favorável ao controle de natalidade! Lembremo-nos que as regras processuais e penais nasceram para limitar o poder. Abandonar o jurisdicionado à própria sorte faz o direito recuar ao tempo de Pilatos.
Em análise de rábula creio que o judiciário foi aceitando, sem questionar, a desculpa que os políticos brasileiros, no sucateamento da segurança pública e sistema penitenicário (nos últimos 30 anos), começaram a passar para a imprensa e opinião pública: "nós fazemos prisões! Quem liberta bandidos é o judiciário..." Ou seja, um jogo de cena apenas para eclipsar a criminosa omissão e transferir, no inconsciente coletivo, o compromisso de manter a segurança pública para os juízes. Assim, o povo continua votando neles...
Felizmente a magistratura nacional está retornado para a sua autêntica missão de guardiã do direito posto. O desembargador Miguel Kfouri Neto, Presidente da Associação dos Magistados do Paraná, acaba de devolver este "manto de chumbo" ao chefe do Executivo Estadual com um sonoro: "Porque non te Callas!"
Elias Mattar Assad
eliasmattarassad@yahoo.com.br
é presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas.
Quem advogou antes do advento da atual Constituição Federal (1988), pode recordar que os magistrados brasileiros tinham como regra o cumprimento rigoroso das leis processuais penais. Basta consultar a jurisprudência entre os anos de 1978/1988, mormente em decisões concessivas de "habeas corpus" para a constatação de que eram efetivamente assegurados, no processo penal brasileiro, os "direitos e garantias individuais" da CF anterior. Por paradoxal que possa parecer, após o advento da atual constituição ("cidadã"), a jurisprudência começou a retrogradar com o norte de sua "bússola" apontando mais para o odioso "AI n.º5" que para assegurar os novos "direitos funtamentais".
Como advogado e vivendo desde 1980 exclusivamente da minha ante-sala, posso lembrar aos mais novos que quando alguém era preso em flagrante delito ou mesmo preventivamente, da primeira análise do processo e com a constatação de que o acusado reunia os pressupostos objetivos e subjetivos para responder em liberdade, a fé no Judiciário como guardião da legalidade era tanta que quase dava para garantir para familiares do aprisionado que o "habeas corpus", ou "pedido de liberdade" seria atendido. Imperava a técnica sobre as vontades pessoais. Prisão, só com legalidade! Não tínhamos esse elenco maravilhoso de "direitos fundamentais" da atual CF, mas juízes com a noção exata de seu papel e de seus deveres para com a nação (norma violada = "expeça-se alvará de soltura").
Lamentavelmente para a cidadania, foi a partir desta CF que começamos ouvir algumas conversas e raciocínios estranhos nos corredores dos juízos e tribunais: "reunir o acusado os pressupostos objetivos e subjetivos, não impede prisão..."; "a prisão deve ser mantida como resposta para a sociedade abalada..."; "clamor público"; "receio de fuga"; "garantia de ordem pública ou social"; "superação de excesso de prazo"; "conjunto probatório recomenda..." entre outras expressões sistemáticamente enganadoras, apenas para tentar justificar imposições de vontades pessoais sobre o princípio da legalidade (determinações de pessoas e não da lei). "Devido processo legal" e "devido processo judicial" são coisas diversas. Neste, ter o réu seis filhos pode ser agravante se o juiz for favorável ao controle de natalidade! Lembremo-nos que as regras processuais e penais nasceram para limitar o poder. Abandonar o jurisdicionado à própria sorte faz o direito recuar ao tempo de Pilatos.
Em análise de rábula creio que o judiciário foi aceitando, sem questionar, a desculpa que os políticos brasileiros, no sucateamento da segurança pública e sistema penitenicário (nos últimos 30 anos), começaram a passar para a imprensa e opinião pública: "nós fazemos prisões! Quem liberta bandidos é o judiciário..." Ou seja, um jogo de cena apenas para eclipsar a criminosa omissão e transferir, no inconsciente coletivo, o compromisso de manter a segurança pública para os juízes. Assim, o povo continua votando neles...
Felizmente a magistratura nacional está retornado para a sua autêntica missão de guardiã do direito posto. O desembargador Miguel Kfouri Neto, Presidente da Associação dos Magistados do Paraná, acaba de devolver este "manto de chumbo" ao chefe do Executivo Estadual com um sonoro: "Porque non te Callas!"
Elias Mattar Assad
eliasmattarassad@yahoo.com.br
é presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas.
sábado, 15 de março de 2008
Compra de imóvel pode exigir uso de programa específico da Receita
Compra de imóvel pode exigir uso de programa específico da Receita
O Globo, 14/mar
Os contribuintes que fizeram transações com imóveis em 2007 precisam ficar atentos ao apresentar a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física 2008. Um benefício concedido pelo governo em 2005 isentou do pagamento de IR sobre ganhos de capital o contribuinte que vende um imóvel residencial e compra outro em até 180 dias. Mesmo assim, esse benefício precisa ser informado ao Fisco na hora de acertar as contas com o Leão.
Segundo o supervisor nacional do IR, Joaquim Adir, o contribuinte precisa baixar o aplicativo "Ganhos de Capital Programa de Apuração do Imposto de Renda sobre Ganhos de Capital" no site da Receita. Nele, são preenchidos os dados do imóvel para comprovar a isenção. Os dados gerados pelo programa devem ser importados na declaração do IR.
Mas o contribuinte só pode usar esse instrumento a cada cinco anos. A isenção vale mesmo que se tenha mais de um imóvel, sendo que não há limite em relação ao valor do bem.
Se a pessoa física não se beneficiar da medida, precisará informar operações de compra e venda de imóveis à Receita usando o mesmo programa, que permite imprimir o Darf para pagar o IR devido. Depois, os dados do programa deverão ser importados para a declaração do IR.
O tributarista Ilan Gorin lembra, no entanto, que, se a compra do segundo bem for fechada antes da venda do primeiro, perde-se a isenção: A regra não permite que a pessoa física se programe. Ela tem que ficar sem casa antes de poder utilizar a isenção.
Mesmo que não precise recolher imposto, na maioria dos casos, a compra de um imóvel torna o contribuinte um declarante obrigatório. A posse de bem imóvel de valor igual ou superior a R$ 80 mil é uma das condições que obrigam o contribuinte a declarar.
Para isso, é necessário ter a escritura e informar, na ficha bens e direitos, o endereço e características do imóvel, nome e CPF do vendedor e condições da compra explica Cleber Busch, consultor da IOB.
Quem pagou financiado deve informar apenas o valor efetivamente pago em 2007, ou seja, parcela paga à vista, inclusive com FGTS e as mensalidades pagas até 31 de dezembro.
Não importa se o imóvel custou na escritura R$ 150 mil, porque se o contribuinte desembolsou R$ 50 mil por ele, é este valor que deve ser informado explica o consultor.
A dívida do financiamento não precisa ser declarada, mas é importante citar os recursos sacados do FGTS (como rendimentos isentos e não tributáveis) e doações ou empréstimos usados na compra.
O Globo, 14/mar
Os contribuintes que fizeram transações com imóveis em 2007 precisam ficar atentos ao apresentar a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física 2008. Um benefício concedido pelo governo em 2005 isentou do pagamento de IR sobre ganhos de capital o contribuinte que vende um imóvel residencial e compra outro em até 180 dias. Mesmo assim, esse benefício precisa ser informado ao Fisco na hora de acertar as contas com o Leão.
Segundo o supervisor nacional do IR, Joaquim Adir, o contribuinte precisa baixar o aplicativo "Ganhos de Capital Programa de Apuração do Imposto de Renda sobre Ganhos de Capital" no site da Receita. Nele, são preenchidos os dados do imóvel para comprovar a isenção. Os dados gerados pelo programa devem ser importados na declaração do IR.
Mas o contribuinte só pode usar esse instrumento a cada cinco anos. A isenção vale mesmo que se tenha mais de um imóvel, sendo que não há limite em relação ao valor do bem.
Se a pessoa física não se beneficiar da medida, precisará informar operações de compra e venda de imóveis à Receita usando o mesmo programa, que permite imprimir o Darf para pagar o IR devido. Depois, os dados do programa deverão ser importados para a declaração do IR.
O tributarista Ilan Gorin lembra, no entanto, que, se a compra do segundo bem for fechada antes da venda do primeiro, perde-se a isenção: A regra não permite que a pessoa física se programe. Ela tem que ficar sem casa antes de poder utilizar a isenção.
Mesmo que não precise recolher imposto, na maioria dos casos, a compra de um imóvel torna o contribuinte um declarante obrigatório. A posse de bem imóvel de valor igual ou superior a R$ 80 mil é uma das condições que obrigam o contribuinte a declarar.
Para isso, é necessário ter a escritura e informar, na ficha bens e direitos, o endereço e características do imóvel, nome e CPF do vendedor e condições da compra explica Cleber Busch, consultor da IOB.
Quem pagou financiado deve informar apenas o valor efetivamente pago em 2007, ou seja, parcela paga à vista, inclusive com FGTS e as mensalidades pagas até 31 de dezembro.
Não importa se o imóvel custou na escritura R$ 150 mil, porque se o contribuinte desembolsou R$ 50 mil por ele, é este valor que deve ser informado explica o consultor.
A dívida do financiamento não precisa ser declarada, mas é importante citar os recursos sacados do FGTS (como rendimentos isentos e não tributáveis) e doações ou empréstimos usados na compra.
Assinar:
Postagens (Atom)